sábado, outubro 21, 2006 - 10:29 AM
Só é bom pra quem não tem
Não existe uma ordem. Possivelmente corrôo, outrora - ao ser inalado - proporciono a sustentação biológica. Não sou, porém, justo. Mato e concedo o dom da vida por conveniência. Minhas conveniências mudam rapidamente. Não me mato porque sou imortal, o que não quer dizer que não tentei. Apesar de um Blog ser exclusivo do Reino dos Humanos, dentro do próprio gênero Homo existem de amebas a baleias, de briófitas a elefantes, de lagartixas a um filósofo. Sou unilateral, não ligo para o valor, moral, de nenhuma dessas entidades. O² para os íntimos. Um nome mais curto não representa a ausência de rusgas. Você precisa de mim e briga comigo. Você fecha o Blog, não me lê mais, não obstante tudo que disse ecoará em sua mente. Até que o Oxigênio não queira mais sustentar vidas - pela escolha dessas vidas.
Sinceramente não sei o nível de metáfora ou literalidade do parágrafo acima, seja para mim, seja para um círculo restrito, seja para o anônimo - aquele para quem EU sou anônimo. Minha primeira reflexão é a seguinte: gostarei do que sou? A resposta da maioria é não. E do que posso vir a ser? "Se alcançasse esse objetivo, finalmente me daria por satisfeito". Essa noção está errada.
Não tenho (mais) namorada (o mais representa muito, posto que é a queda do céu ao inferno). Não sou assalariado. Não que não tenha trabalhado, mas receber aquele quinhão ao final do mês é um privilégio do qual me sinto virgem. Minhas idéias não entram em conformidade com a ordem social - eu gosto da desigualdade, mas me irrito ao ver que na maioria das vezes me encontro do lado de baixo. E então... Projeto-me no corpo de um amigo. Três anos de namoro, vai se casar, estágio onde trabalha pouco e é bem pago - pelo que dele sei é realizado musicalmente (esqueci de dizer: gostaria de tocar bateria ou cantar, o que é impossível por questões genéticas, coordenativas e temporais), apolítico, sabe, daqueles que não se esquentam com facilidade. Sente-se bem. Não tem um Blog oficial ou outros dez em que "bica" - e eu, que sempre ANOTO MAS NÃO ESCREVO no meu, acabo fazendo o bom trabalho no dos outros! Quis dizer que meu amigo, codinome Plutônio, é a vida que eu projeto para mim.
Minhas aspirações são essas. Alguém para "comer todo dia" (sendo bem direto), dinheiro para gastar a curto, médio e longo prazo. Uma banda. Despreocupações. As aspirações de Plutônio são... Não tenho a intimidade necessária.
Despreocupação é o que eu não teria sendo Plutônio. Isso porque eu sou eu, mesmo dentro dele. Começaria a me perguntar "Quando vamos casar?", "Ela vai terminar comigo?", "Quando, como, por que e onde? O que eu a teria feito? Vou sofrer tanto assim - de novo?!", "E a separação dos bens?". Os ciúmes, ah, os ciúmes. Afinal, a namorada dele é novinha mas é bonita. Tenho certeza que Plutônio não pensa nessas coisas. Quanto ao dinheiro, "em que gastar?", "tê-lo-ei para sempre?", "e se eu for demitido? Por justa causa?". Bandas são como relacionamentos, outrossim. Descobri que a vida de Plutônio é tão insatisfatória quanto a minha - pelo menos para mim!
Ah... Estou bem. E ontem eu fiquei melhor ainda do que numa sexta-feira normal, porque me perguntaram "para que escrever em Blog?" (não foi Sódio). Respondi-lhe: ser contra-argumentado. Pelo meu bem, espero que sim. O céu está cinza. O de Plutônio também, embora ele não se dê conta. Não, apaga tudo, o que foi que eu escrevi? Plutônio, você está bem? Terminou com a namorada? Dê-me o endereço dela...
Por Oxigênio