sábado, outubro 21, 2006 - 10:30 AM
Na busca pelo fim da busca
O Sódio. Na. Ou seria aN, ou oidós? Ou, ainda, todos os enigmas que estão por trás destes símbolos, que agora são apenas letras orfãs, sem histórias reconhecidas?
Minha presença na Terra não me apetece. Quero mais, desejo o maior, o infinito, aquilo que sou incapaz. Talvez por isso seja abundante nas estrelas, na crosta terrestre, nos metais alcalinos que tanto entro em conflito e harmonia simultaneamente. Estou na crosta, vocês me vêem? Estou na crosta, na crosta. Buscando, tentando, criando receios, interrupções, atrações, problemas, insuficiências. Decorrentes da minha insatisfação, da minha inquietude, desespero.
Quero uma função, busco desesperadamente uma função com sentido - não aquelas várias que os humanos criaram para sentirem-se úteis. Enquanto não a encontro - possivelmente não a encontrarei -, vivo, tentando pensar menos, desejar menos, ser mais. Me engano porque querer desejar menos e ser mais é o mais extremo e absurdo dos desejos: aquele que te deixa inquieto e não te permite; aquele que é o cúmulo do desejar e, assim, da insatisfação.
Não creio na razão dos humanos, não sou prepotente. A luz não me alcança, não ilumina a ponto de mostrar tudo aquilo tal como é. Deve ser por isso que, ao ser exposto à luz, emito elétrons freneticamente, inquieto. A luz daqui nada mais faz que me intrigar. Quem sabe um dia, em outro planeta, ou outro estado, ou em outro aquilo que não se sabe e não se possui palavras para descrever exatamente por ser desconhecido, possa irradiar e habitar em algo único e sem distinções e ilusões de luzes, iluminações, pontos finais e todas essas mediocridades daqui.
E assim prossigo, como sódio.
Apenas sódio,
inquieto e quieto, na escuridão da claridade da luz,
na patética busca pelo fim da busca, pelo fim do desejo.
Por Sódio