sábado, outubro 21, 2006 - 10:31 AM


Juan, o óbvio misterioso


Conheci Juan no lugar mais propício para fazê-lo: em uma festa. Festa com boa música, boa bebida e algumas pessoas interessantes. Não havia muita gente, até porque era dia de semana. Ele chegou do nada na festa - sozinho - e veio falar comigo, puxando um assunto óbvio e esperado, já que nos conhecíamos de vista há algum tempo.

Pediu meu telefone para sairmos e eu não hesitei. Afinal, Juan possuía muitos amigos em comum a mim e já havíamos conversado em uma outra festa, embora tenha sido algo sutil e de impressão final como sendo um completo idiota e arrogante. O idiota e arrogante é intrigante, já que não é burro e vulnerável. Não concorda com tudo o que falo, não hesita em falar o que acha. Interessante, muito interessante, meu inconsciente não tão inconsciente pensava.

Tocava uma música da Blondie, minha banda favorita há alguns anos atrás, quando nos beijamos. Foi meio inesperado, ele simplesmente beijou e me entreguei, sem pensar em absolutamente nada.
Foi bom. Bom e estranho, bom e inigualável - não que exista algo igualável, mas digo inigualável no sentido de superior e especialmente distinto e maravilhoso.

Subimos para conversar. Ele dizia coisas óbvias como o bom adorador de Platão que era: Os deuses nos colocaram aqui. Não estou falando com você, mas com a sua alma. Você não se lembra, mas é só se recordar e se lembrará de mim. Já conhecia o tipo dele, não havia dúvidas: ficava com todas as mulheres que achava interessante e provavelmente homens também - embora tivesse uma cara de que não gostava que terceiros soubessem. Não reprimia seus desejos. Fazia o que queria, sem hesitar muito. Parecíamos nos conhecer há anos - me senti um pouco estúpida no momento em que pensei nisso, pois condizia exatamente com as frases-feitas sobre as quais ele falava. Em um dado momento, Juan disse que havia ficado com outra pessoa naquele dia. Achei admirável e o amei mais a partir daquele momento, pois estava sendo sincero. Não era como Henri, que fingia-se de fiel e achava que me enganava. Via mais fidelidade em Juan, que me respeitava e dizia a verdade.

Ai, Juan era um enigma, um mistério. Parecíamos nos entender perfeitamente. Mas era tudo um jogo, eu sabia. Era tudo um jogo, e ele dizia Sem jogos, Mônica. Sem jogos entre nós dois. Minha mente ria dessas bobagens e de suas tentativas frustradas de me enganar. Entretando, meu coração sentia, batia rapidamente. Eu tremia, olhava para seus olhos e sorriso e realmente sentia, a cada momento, que o conhecia há vários anos.

Parei de olhar para seus olhos.
Sentia-me cada vez mais medíocre, manipulável e estúpida.
Meu coração acreditava que ele não estava me enganando, mas estava, estava.

Pensei na minha estupidez mais uma vez, pois havia adquirido uma posição de defensiva exacerbada.
Não conseguia olhar para seus olhos, embora ele pedisse a todo momento para que o fizesse. Disse que riríamos de tudo aquilo, que tudo iria ficar bem, que queria me conhecer, conversar comigo.


Fiquei com medo, pois sabia exatamente como seria.
Não queria me condicionar àquilo, não queria.
Entretanto, os momentos ao seu lado eram maravilhosos.
Queria fazer amor com ele logo, embora minha razão e condições não permitissem.


Henri, Juan.
Juan, Henri.






Voltei para minha condição de metal e fui para a crosta terrestre, fingir que nada estava acontecendo.


Por Sódio