sábado, outubro 21, 2006 - 10:58 AM
Evoquemos Nietzsche!
Friedrich Nietzsche e as mulheres: como alguém que soubesse tão pouco do outro (tanto as mulheres acerca de Nietzsche quanto ele acerca delas) pôde descrevê-las (agora apenas Nietzsche descrevendo-as; elas dirão o que pensam nos comentários) tão bem?
O filósofo-das-enxaquecas teve muita sorte: nasceu num ambiente com quatro ou cinco mulheres e nenhum macho. Ele sabe o que diz! E o que diz Nietzsche? O amor é o amor pelo desejo que se sente de amar. Nunca pela pessoa em si ou pelo desejo do outro para consigo, mas claro que é conseqüência da "pseudo-devoção" exercida esperar que ela reproduza os sentimentos, em dobro, quiçá o triplo. O amor é uma disputa pelo poder, como toda e qualquer relação humana, talvez descartando-se a amizade pura que tem por objetivo a convergência do conhecimento, uma sabedoria reciprocamente construída, a onisciência mútua, altruísta. Impossível para um homem e uma mulher que se sintam atraídos!
O amor era bom e necessário para o homem. Mas daí a deixar-se sublevar por ele? Nietzsche sempre odiou inflamações! Jovens, imaturos... Quanto desperdício de vigor. Numa relação de poder o que não pode é se deixar por baixo. Ainda que se sofra, ainda que se queira que o outro deseje mais a si, é prudente não sucumbir a gestos ou posturas humilhantes. Quem é você para dizê-lo, Frederico? Até onde sei, deixou-se fotografar ao lado de uma mulher e (!) outro homem; o primeiro desses curiosos entes sustentava um chicote na mão. Nietzsche olha para o céu na foto.
Pensando bem, eu entendo: como pode um "virgem da dor do amor" aprender sem errar? Depois que o primeiro triângulo não deu certo, nunca mais se ouviu de Nietzsche se arriscando na Geometria, a não ser numa que soasse "bem familiar". Lou Salomé, a chicoteadora, a despeito da beleza e do poder ("a" palavra) de argumentação, não fazia mais efeito sobre ele, pois ele inventou o "fechar de olhos". Quisera Nietzsche ser congelado em 1899 e ressuscitado em 2006 para fazer um profile no Orkut. Reservo-me ao direito de permanecer 24 horas de olhos abertos sem me subjugar a poderes que emanam de semblantes alheios. Dizem que as fotos melhoram as pessoas. Eu diria que "invertem": podem melhorar ou podem piorar, da aparência à índole. Desde 1882. Alguém que sustentava um chicote e transpirava imponência... pode não ter sido tudo aquilo. Hoje, ah, hoje... os chicotes são invisíveis.
Por Oxigênio